Uma das grandes
lacunas na minha educação durante a infância, foi o Natal. Ninguém
chegou e explicou do que se tratava. Eu via diversos anúncios na TV
dizendo que as crianças mereciam ganhar presentes no Natal. Também
via os filmes de como era o Natal nos EUA: neve, presentes, uma
árvore de Natal gigante na sala, luzes piscando... Bem, na nossa
realidade quando as luzes piscavam era bom ir procurar a lamparina
porque logo ia faltar luz.
Com o tempo fui catequizada na
igreja católica e nela a pregação do nascimento de Cristo, o
verdadeiro sentido do Natal. Sempre pensava que Papai Noel não
achava a nossa casa porque não tinha chaminé, nem imaginava que
tinha algo haver com dinheiro. Com o tempo meu pai passou a ganhar
melhor no emprego dele e já no início da adolescência passamos a
fazer uma celebração de Natal em casa. No começo, tímida, com
salpicão e refrigerante. E com o passar dos anos foi aparecendo
Peru, chester, queijo, saladas, sobremesas e outros
pratos.
Apareceu também a árvore de Natal que era de metal com
festões
enrolados nos galhos e pequenas bolas de vidro (sim naquela época as
bolas da árvore eram de vidro muito fino, colorido, muito
frágil e também muito lindas). Eu passava horas, sentada na frente
da árvore da sala observando cada detalhe para ajudar na decoração
a gente colocava caixas enroladas com papel de presente. Aí pronto
ficava perfeito.
Nessa época, todos
os anos compravam roupas novas pra gente. Meus pais faziam milagres.
Cada um de nós com uma sandália e uma roupa novinha. E eu só
pensava no papai Noel. Será que dessa vez ele vem? Aí mamãe
aparecia “bora comer!! A ceia tá pronta” eu ia pra mesa e
pensava "Ôxe, e o nome dessa janta agora é ceia?". Lembro
que comia até não aguentar mais. Era a noite da comida mais gostosa
do ano. Depois íamos para a calçada conversar e mamãe ficava
marcando o tempo “Vai dar meia-noite... O menino Jesus vai
nascer... vamos o que você deseja peça com força que vai ser
realizar! Faltam 5 minutos”
Aí dava a
meia-noite, o povo se abraçava, tudo desejado, feliz Natal, tudo de
bucho cheio e eu pensando “O papai Noel furou de novo”. Depois
perguntava a mamãe o que ela tinha pedido a papai Noel, ela dizia
“Pedi saúde e paz e que ninguém falte na nossa mesa”. Durante
muitos anos não entendia aquele pedido dela. Ela podia pedir
qualquer coisa. Um carro, Um avião, Uma casa com água encanada...
Hoje, eu entendo o pedido dela.
SENHOR JESUS CRISTO TE PEÇO SAÚDE, PAZ E QUE AO REDOR DA MINHA MESA NO PRÓXIMO NATAL, NÃO FALTE NINGUÉM.
Texto: Sônia Borges. Instagram: id.sonia
Revisão e edição: Lula Borges
