Quando eu tinha 13 anos, minha irmã mais velha se apaixonou por um rapaz. Ela tinha 15 e ele 17. Ele também se apaixonou profundamente por ela. Os dois eram impulsivos. Um dia fugiram da escola no início da aula. Eu fiquei, assisti as primeiras aulas e, no intervalo, as colegas disseram eles não entraram para assistir aula.
Eu pensei logo em mamãe. – Ela vai nos matar. – Paralisei de medo. – E agora? O que eu faço? Não posso chegar em casa sem ela, como vou explicar? Mamãe é brava, tô lascada! – Resolvi fugir da aula. Subi a rampa da Escola Estadual Augusto Severo, peguei minha mochila e fui. Pulei o muro. O vigia nem viu. Sai. Passei por Petrópolis voando, cheguei em Mãe Luiza. Agora é procurar…
Sai andando rápido até chegar na casa do namorado. Estava fechada. Passei, subi na Rua Atalaia, fui na casa de uma colega que sempre íamos lá, nada. Subi na Camaragibe, fui na casa de uma tia que morava lá, nada. Procurei na casa dos amigos, ninguém viu, até que um colega falou que os viu descendo da Guanabara para a praia. Nossa!!! Corri. Desci uma escadaria do tamanho do mundo, com a mochila cheia de livros nas costas olhei na praia de Areia Preta, nada, fui até Miami, nada. Parei olhei, procurei, me escorei no parapeito respirei, me acalmei.
Eu ali, de pé, escorada naquele parapeito do belo paredão da praia de Miami, cheiro de maresia, eu vendo as ondas batendo lá embaixo, nos paralelepípedos que protegiam o paredão, algumas ondas mais fortes chegavam a salpicar água salgada em mim, sentindo o vento quente de meio dia, os surfistas descendo as ondas fazendo manobras; parei para observar o quanto tudo aquilo era majestoso. À minha direita, o morro da cruz, lindo, alto, imponente, difícil até de descer, subir então era para quem tinha preparo físico. Atrás o farol testemunha de tantas saídas e chegadas dos jangadeiros. Eu ali com os cabelos voando ao vento me dei conta da minha insignificância perante todo aquele cenário, decidi voltar pra casa, seja o que Deus quiser.
Subi
a outra escadaria, mais alta ainda, depois subi a Guanabara em
direção ao Barro Duro, onde morava. Ao chegar na escola Dinarte
Mariz, minha irmã estava lá, sentada numa parada de ônibus, com o
namorado, me esperando. – Menina, como tu demorou – Eu, queimada
do sol, cansada de tanto andar, olhei pra ela e disse – Tu foi pra
onde? – Ela disse – Fui na praia e depois vim pra cá te
esperar, tinham 2 aulas vagas e as outras eu já passei de ano, não
preciso mais assistir essas aulas.
Eu fiquei com ódio.
– Porque não me avisou?
– Ahhh, se eu avisasse, você não ia querer que eu fosse.
O namorado foi embora e nós descemos pra casa. Mamãe estava dormindo quando chegamos. Nem notou que nos atrasamos. Hoje fico pensando, com o uso do celular, nada disso teria acontecido. Minha irmã era impulsiva, forte, até um pouco agressiva, mas eu era completamente apaixonada por ela. Nossa principal preocupação era não levar uma surra de mamãe. Saudades dessa época.
Resumindo o texto: vocês escaparam de umas lapidadas das boas no lombo... Se fosse hoje, com o mundo digital, tu mãe teria conhecimento muito antes de vocês pensarem em se encontrar com os pretendentes. Hoje a cada metro quadrado tem 5 ou 6 influencie digital da fofoca com suas câmeras escobdida e ligadas ...
ResponderExcluirNé, escapei!
ExcluirNada melhor que essas recordações boas.
ResponderExcluirNé!
ExcluirNossa quanta saudade dessas aventuras kkk, Sandra viveu tudo intensamente.♥️👏👏👏👏👏
ResponderExcluirSim, viveu,e me levou pra viver a força kkkkk saudade daquela doida.
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