sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Um passeio mágico pelo morro de Mãe Luiza


Antigamente era bem comum passear no morro. As pessoas iam buscar frutas, pegar lenha (madeira para cozinhar) ou apenas por diversão mesmo. Um dia dona Helena, ficou reclamando com o marido que estava com pouca vara na cerca e as galinhas estavam fugindo. O Marido dela disse

“Vamos no morro pegar vara?” Ela disse “Vamos! Vamos dona Zefinha?” (no caso minha mãe). “Vamos. Só assim levo os meninos pra passear”. Assim nos juntamos todos e fomos ao morro.

Lembrando que mamãe, com 5 filhos, dona Helena com 2 e o Marido. Subimos o morro pela entrada onde hoje é a sétima DP, Subimos um morro e descemos; fomos em direção do segundo; subimos até a metade. Aí nos embrenhamos na mata, aproveitando para pegar caju, maçaranduba e guagiru, que estava na época. Daí descemos num caminho bem estreito e como num piscar de olhos estávamos lá... Pra mim, como criança, o lugar parecia um lugar mágico.

Tinha uma árvore grande com uma copa muito frondosa. Ao redor dela tinham várias árvores também altas deixando o chão cheio de folhas mas sem mato. A luz da tarde entrava nas fresta entre as árvores trazendo uma cor amarelada que batia nas folhas, no chão e levava uma luz diferente quase um crepúsculo, só que embaixo da árvore grande. Eu fiquei ali parada observando toda aquela beleza enquanto os meninos já se penduraram nos cipós da árvore grande brincando de tarzan.

Tinham uns troncos de árvore velhos. Eu me sentei para contemplar todo aquele brilho. O solo de areia muito branca, com folhas desgastadas que trazia um cheiro um pouco parecido com chuva na calçada. Eu enfiei os pés naquela areia fofa, enquanto escutava o marido de dona Helena cortar as varas.

Depois caminhei um pouco entre as árvores com a sensação de que a qualquer momento iria encontrar uma fada, um duende, algo tão mágico que justificasse tanta beleza. Mamãe grita: – Vumbora! (A forma dela falar vamos embora) – Eu não queria voltar. O que justificava sair de um lugar tão lindo daquele? O jeito foi seguir a "turma".

Na entrada do caminho de sair dessa floresta eu ainda olhei pra trás e senti uma sensação única de que havia sim alguém naquela árvore grande. Era uma raposa o amarelo do pelo dela se confundia um pouco com o marrom das folhas no chão, mas o brilho dela era surpreendente e inigualável. Quase acenei para ela, mas, preferi seguir caminho junto com meus irmãos.

Texto: Sônia Borges
Revisão: Lula Borges

15 comentários:

  1. Maravilha, só lembranças, daquela época,vquem teve essa vivência, compreende muito, saudades, Ho

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  2. Linda parece que eu estava lá nesse passeio pois já vivie esses momentos lindo na minha infância apesar de muito sofrida mas tinha esses momento de prazer e alegria

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  3. Eu amo essas histórias de infância, e sendo contada da forma que é vivida pela própria pessoa é maravilhoso parabéns ��������

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  4. Com certeza eu não estava nesse momento tão especial, detalhada, sobre sua infância, más com certeza tive bons momentos nesse morro de mãe Luiza, forma momentos inesquecíveis também para minha pessoa. Linda história!

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  5. Vc agora me transportou a minha infância qdo o meu vizinho fazia um passeio maravilhoso na barreira do inferno quê não existe mais , hoje só temos hotéis , ou época boa aquela , subimos o morro de nova descoberta, passávamos pela UFRN quê na época estava em construção, era MT bom . Obgda pela viagem !!!!!

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    1. Tenho muitas outras, aos poucos vou contando, neste canal que encontrei.

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  6. Toda criança devia ter ótimas lembranças

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    1. Sim, é só se concentrar nas boas lembranças e deixar as ruins no passado.

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  7. Que lindo hein!.. eu também passei por grandes, momentos magicos desses, um grande privilegio de nossa época...fantástico?..

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    1. 🤩 pena que as crianças de hoje não sabem o que é isso.

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